terça-feira, 1 de agosto de 2017

Leio você e os teus sinais
Anseio teu olhar, tua pele, tua boca e
Instintivamente, sinto essa
Saudade que me agarra o peito.

sábado, 13 de maio de 2017

Não é uma comparação. Não, não é.
Mas, é impossível não sairmos por aí, a torto e a direito, comparando tudo.
Que triste viver nessa miserável competição
E ainda assim nos acharmos senhores e senhoras do mundo.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Faz tempo.
Não lembro mais teu cheiro de pele enxuta sem cheiros.
O que impregna na mente é a textura, essa que tem tua pele.
Suave, deslizo.
Te sinto como quando toco em mim.
Teu corpo está no meu e o meu corpo no teu.
Carne viva e cintilante.
Em brasa.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Acho sim que estou perdendo muita coisa que tinha em mim como certa. A ingenuidade é uma! Há tempos não sei mais o que essa palavra significa.

Meu pulso pulsa. E o que vem de dentro eu não sei dizer.
Não sei se me ouve, se me presta atenção. Talvez em sonho eu possa saber, mas dos sonhos não lembro. Teu rosto, sim, ainda me vem e é o que permanece quando desperto. Subterfúgio.
Eu não me vejo, porque os atalhos existem e persistem em me desnortear.
Eu perco a direção. Eu não sei mais retornar.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Origem

Todo o meu corpo é feito de memórias que circulam por entre minha corrente sanguínea. A cada batida, o corpo espalha memórias pelas minhas veias, meus músculos, meus órgãos. Na agitação do dia e na ansiedade rotineira que me permeia, o corpo clama por esse encontro com a memória ancestral, esse acalmar da mente retornando para dentro, para o sagrado. Não há caminho mais desejado, mais harmonioso mais cheio de luz do que o retorno às origens do nosso ser. A serenidade invade a mente, o corpo, e sinto a força da terra, a frequencia do universo. Esse pulsar, sentir, é o alimento da alma. E da mesma forma que o alimento é essencial para o corpo, esse encontro também o é. Façamos as pazes com nossa ancestralidade espiritual, sejamos abertos para o amor universal que nos torna um e para o ato de ouvir e sentir os impulsos da alma.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Por um fio

Por que diabos estamos todos conectados? Pergunto-me se esse fio invisível que nos liga pode ser quebrado. Não o vivemos, não o sentimos, e não nos importa sua espessura ou sua eficácia. O que sinto é que estamos ligados por um grande nó; este se fosse visível, seria um emaranhado infinito de todos os rompimentos, de todas as promessas não cumpridas, de todas as esperas. A solução seria o corte e todos os fios estariam livres, jogados ao chão, ainda que com seus nós; quem sabe como fios de poste, atrapalhando o trânsito ou o fluxo da vida. Embora sinta que há no íntimo um desejo desesperado desse desembaraçamento, o não saber como fazê-lo produz novos e grandes nós. 
Aceitemos, a sociedade está por um fio, um longo e embaraçado fio.

Redenção



Que sensação horrível essa de se sentir incorreta, impura, transgressora, ainda não sei se o sendo. Parecia que a mediocridade havia pousado sob meus ombros e o peso me lembrava a todo instante os fatos de minha vida, estes que para mim, traziam lembranças puras e inocentes. Essas lembranças me enchiam de uma nostalgia vibrante e intensa. Ansiava que o tempo retornasse ou que simplesmente parasse; ali, exatamente onde eu pudesse não mais me mover, só transbordar meus sentimentos em cada canto, e senti-lo espalhar-se através dos cômodos, das frestas. A minha vontade me tornava reprimida e inconstante; e quanto mais me distanciava, mais em mim, era forte esse desejo de retorno, de busca, de rendeção.

domingo, 23 de agosto de 2015

Esse nervosismo que me tira a calma. Não sei o que fazer. Sério, não sei. Não passa. Não vai embora. E fica essa sensação de ter perdido algo.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Está aqui.

"Onde está o amor?" apenas alguns goles e essa frase ecoa. "O amor está aqui."

É muito amor perdido quando não se consegue encher de amor aqueles que ama. Quando não se doa e não doa o amor. Não lembro onde li essa frase que ser doce é um trabalho árduo. Não sei quando percebi que ser fria também o é. Porque diferentemente da doçura, a frieza requer que deixemos de lado nossa maior riqueza que é o ato de se importar, e isso... não pode ser perdido.

sábado, 20 de junho de 2015

quarta-feira, 18 de março de 2015

As vezes o dia não passa de um fardo. Sentir e se importar seriam a carga mais pesada.
E eu que já nem sei quem sou, o que busco.
Que já trapaciei todas as possíveis representações de mim mesma.
Não passo de um ser qualquer.
Não sou.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Algumas coisas acontecem e você não sabe como se sentir. Não sei se fase ou não. Mas, sinto que falta algo. E que eu não posso fazer nada, porque não é esse o tempo certo. Ainda assim, me vejo voltando no tempo tentando tocar todas as lembranças.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Voltar o tempo...

É o que eu quero, pra tudo. Cada coisa, cada detalhe.
A saudade me invade como um furacão, deixando tudo bagunçado, pelos cantos. E o meu peito sente esse aperto, essa dor, que está em tudo e em todo lugar. Nossa casa não é a mesma, pois tiraram o seu coração e o que resta é esse oco, esse vazio. Você estava e está em tudo. E sentir a tua ausência é uma dor sem igual. As palavras se perdem agora, e eu só queria dizer que você é meu herói! Soa clichê, como tudo que parece se repetir; porém essa repetição nunca se tornará desgastada: Te amo, pai!

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

terça-feira, 5 de agosto de 2014

A busca apressada por cada parte tua, toque, cheiro, risada, suspiro. Nossos olhares, nossos sorrisos, nosso aconchego. E o estar perto, sem receio, sem pressa, deixando o tempo tomar cada segundo.

As pessoas são cruéis e julgam com tamanha maldade, que como esponja absorvemos a pior das energias. E aos poucos nos transformamos nas mesmas pessoas que nos enojam.

Fora de moda

Está fora de moda dizer que sente falta.
Está fora de moda demonstrar o que sente.
Está fora de moda ser gentil.
Está fora de moda ser otimista.
Está fora de moda não reclamar.
Está fora de moda amar.
E a verdade é que o que eu estou falando também está.

domingo, 29 de junho de 2014

Quando o cansaço toma conta e tudo o que importa é o que não importa, o que não é necessário.  Algumas vezes acontece uma pequena mágica que te faz sair desse ciclo de vazios que nunca se preenchem, que nunca realmente deixam de ter essa forma oca, que a cada batida, a cada pancada, te dilacera. E o eco de cada dor, fica ecoando, até uma nova pequena mágica.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

As vezes, nossos desejos, nos martirizam, nos pisam, nos chacoalham num ciclo de dor contínua, ininterrupta e nos arremessa ao chão como trapos velhos. Tentamos subir e erguer nosso orgulho, ao mesmo tempo que nos rebaixamos resignados como se, apenas se, tudo aquilo já houvesse de acontecer.

domingo, 12 de maio de 2013

Nessa estrada quero achar gente doce, límpida, verdadeira e disposta. Quero topar com luz, desapego e paz. Caio Fernando Abreu
O que tem de ser, tem muita força. Ninguém precisa se assustar com a distância, os afastamentos que acontecem. Tudo volta! E voltam mais bonitas, mais maduras, voltam quando tem de voltar, voltam quando é pra ser. Acontece que entre o ainda-não-é-hora e nossa-hora-chegou, muita gente se perde. Não se perca, viu? - Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Eterno Retorno (Nietzsche)

“E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e seqüência – e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez – e tu com ela, poeirinha da poeira!“ Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: “Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!” Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: “Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?” pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?” (aforismo 56) 

quinta-feira, 21 de março de 2013

Me pergunto o que aconteceu comigo ultimamente. E na dúvida, deixo essa pergunta pra outro dia. E todos os dias sinto falta de responder essa pergunta. Sinto falta da resposta. Da resposta sincera. Agora é como se eu tivesse medo de saber a resposta. Um medo de ir de encontro com essa grande merda. Sentir que você mudou e não saber como tudo aconteceu sem que você notasse. O que muitas vezes dói é não me reconhecer, é ter deixado o tempo comer os vestígios de como eu era. Uma saudade de mim, no tempo. E ao mesmo tempo um alívio de ter me perdido. Quantas utopias. Tão belo aquilo tudo era. Uma vontade de voltar e começar tudo de novo como se o destino existisse e reservasse a realização de todos aqueles desejos, sonhos. E o que acabou sendo, não passasse de sonhos, anunciações, pressentimentos dos erros que não seriam mais cometidos.

Uma sensação estranha. E pensando bem, sei porque. A gente sempre sabe, e só não quer chafurdar no assunto. E quando lembro de certos momentos, penso o quão burra eu fui. A gente é bixo burro mesmo... Magoa sem querer e persiste no erro quando sabe que deve parar. E nesse chafurdar tem uma cena que nunca sai da minha cabeça. Uma cena simples, cuidadosa e pra mim uma das mais tocantes. E sempre que lembro, me vem uma sensação estranha de perda, uma vontade de fazer tudo diferente. E penso o quão lindo tudo teria sido.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Nem sei porque a gente cresce tão rápido e vai descobrindo mais rápido ainda que cresceu. Que o tempo passou e que nada do que já foi tem volta. Tudo dito não tem volta. Tudo feito não tem volta. E me dizem que isso é a graça da vida. Se todos estivessem rindo, poderia acreditar um pouco nisso. Mas, o que vejo, são pessoas sorridentes, escondendo grandes tristezas, decepções, traumas. Seria grandiosamente belo poder dizer o que realmente sentimos e queremos sem magoar alguém. E seria grandiosamente mais belo não sentir a dor que nós mesmos causamos nos outros. Mas, a verdade é que somos crescidos. Somos adultos agora. Responsáveis por tudo o que acontece e não acontece. E escrevo apenas porque quero desabafar por todos esses momentos que não tem volta e que nos deixam com a estupenda sensação de perda, de fracasso. E essa não é a melhor sensação do mundo, acredite. E o pior é saber que eu sei qual é a graça de tudo isso. É não saber como nos filmes o que pode acontecer e encontrar beleza e estar surpresa com o que vai se mostrando na nossa frente. E é aí, que nosso adulto se perde, pois não tem controle do que pode acontecer. E somente a criança com sua simplicidade e verdade se surpreende e se deixa encantar com o que ainda não conhece. Só precisamos acordar mais vezes essa criança e deixar que ela se maravilhe com o mundo e encontre graça onde muitas vezes não encontramos.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Não adianta, pensei, não adianta tentar fazer com que alguém te dê algo pra satisfazer sua própria carência emocional ou sua ideia de amor perfeito. Mendigar por uma situação que te lembra um romance, uma música. Quando acontece e se acontece, é natural. É preciso enxergar isso e tentar viver livremente com as escolhas que não são nossas e que não podemos e nem devemos querer mudar. Compreender os caminhos do outro, como quem quer ser um dia compreendido. E saber amar, como se amado fosse.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

ODE AO GATO

(...) O gato vê mais, vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluidos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente ao nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério. O gato é um monge portátil sempre à disposição de quem o saiba perceber. - Artur da Távola
(Em memória de Nino)